Quando a criança não come ou aceita poucos alimentos, surgem muitas dúvidas:
É apenas uma fase? É seletividade alimentar? Pode ser TARE (ARFID)? Ou um transtorno alimentar pediátrico?

Embora esses termos sejam frequentemente confundidos, eles representam condições diferentes, com causas, impactos e tratamentos distintos. Entender essa diferença é essencial para evitar atrasos no cuidado ou intervenções inadequadas.

Neste artigo, você vai compreender de forma clara a diferença entre seletividade alimentar, TARE e transtorno alimentar pediátrico, além de saber quando buscar ajuda profissional.

O que é seletividade alimentar?

A seletividade alimentar é um comportamento comum na infância, principalmente entre 2 e 6 anos. Está relacionada ao desenvolvimento e à adaptação da criança ao ambiente alimentar.

Características da seletividade alimentar:

  • Preferência por poucos alimentos

  • Recusa de alimentos novos (neofobia alimentar)

  • Influência de cor, textura ou cheiro

  • Crescimento e desenvolvimento preservados

  • Evolução gradual com orientação

Na maioria dos casos, não é um transtorno, mas deve ser bem orientado para que não se transforme em uma dificuldade alimentar mais séria.

O que é TARE / ARFID (Transtorno Alimentar Restritivo Evitativo)?

O TARE / ARFID é um transtorno alimentar descrito no DSM-5. Ele envolve uma restrição alimentar significativa, que não está relacionada à preocupação com peso ou imagem corporal.

Principais características do TARE ou ARFID:

  • Restrição alimentar persistente

  • Baixa ingestão energética ou nutricional

  • Medo intenso de se alimentar, engasgar, vomitar ou passar mal

  • Forte aversão sensorial a alimentos com comportamentos disruptivos

  • Prejuízo nutricional e psicossocial

O TARE é um diagnóstico psiquiátrico, e pode ocorrer na infância, adolescência e também na vida adulta.

O que é o Transtorno Alimentar Pediátrico (TAP / PFD)?

O Transtorno Alimentar Pediátrico é definido como uma dificuldade persistente de alimentação, com impacto funcional, que envolve fatores:

  • Médicos

  • Nutricionais

  • Sensoriais

  • Motores orais

  • Psicossociais

Características do transtorno alimentar pediátrico:

  • A criança não come o suficiente para sua idade

  • Apresenta comprometimento do crescimento ou desenvolvimento

  • Dependência de suplementos ou alimentação por via alternativa

  • Dificuldades em contextos sociais

  • Necessidade de abordagem multidisciplinar

 Diferente do TARE, não é um diagnóstico psiquiátrico, mas sim funcional e clínico.

Seletividade alimentar x TARE x Transtorno Alimentar Pediátrico

Aspecto Seletividade alimentar TARE / ARFID TAP
Natureza Comportamental Psiquiátrica Multidisciplinar
Frequência Comum Menos comum Clínica
Crescimento Preservado Pode estar comprometido Frequentemente comprometido
Base sensorial Leve Intensa Frequente
Impacto psicossocial Baixo Alto Alto
Necessidade de equipe Não Sim Sim

Quando a criança não come: sinais de alerta

Busque avaliação profissional se houver:

  • Menos de 20 alimentos aceitos ou redução do número de alimentos aceitos

  • Estagnação ou perda de peso

  • Refeições com choro, ansiedade ou medo

  • Exclusão completa de grupos alimentares

  • Engasgos frequentes

  • Dependência de líquidos ou suplementos

Esses sinais não devem ser atribuídos apenas à seletividade alimentar e requerem avaliação e ajuda profissional .

Diagnóstico e tratamento

Seletividade alimentar

  • Orientação nutricional

  • Exposição gradual, e terapia alimentar

  • Ajustes de rotina e ambiente

TARE / ARFID

  • Acompanhamento em saúde mental (Pedopsiquiatra)

  • Nutrição especializada

  • Terapia comportamental

  • Abordagem sensorial quando necessário

Transtorno alimentar pediátrico (TAP)

  • Atuação multidisciplinar

  • Plano alimentar terapêutico

  • Intervenções sensoriais, motoras e comportamentais

  • Acompanhamento contínuo

Conclusão

Nem toda criança que não come tem um transtorno, mas toda dificuldade alimentar persistente merece atenção.
Compreender a diferença entre seletividade alimentar, TARE e transtorno alimentar pediátrico evita atrasos no diagnóstico e garante intervenções mais eficazes e seguras.

Informação correta é cuidado. Marque uma consulta 

Ilana Fux

Nutricionista Clinica Pediatrica 

Especialista em Neurodesenvolvimento e Dificuldades Alimentares 

ON 4831N  e CRN9 -2006